Os ficheiros Epstein e a transformação das super-elites

Num livro muito influente da sociologia do pós-Guerra, The Power Elite, o norte-americano C. Wright Mills sugeria que os EUA não eram governados pelo povo, mas por uma minoria coesa. A afirmação chocava com a fé otimista então depositada numa sociedade aberta e pluralista. O livro de Mills transformou os estudos sociais sobre as elites, que deixavam de ser uma inevitabilidade natural e, nas suas novas configurações, passavam a ser lidas como consequência da modernidade. Para Mills, o poder das elites era estrutural e assentava num triângulo interconectado. Mesmo que persistissem pontos de tensão, entre as grandes empresas, o Governo federal e as instituições militares teciam-se relações profundas. A influência de Mills foi tal que, em 1961, no seu discurso de despedida, o Presidente Eisenhower alertou para a ameaça que o complexo industrial-militar colocava à democracia na América.


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