Abril, guerras mil – e há um ogre a querer dançar

Entrados nos 52 do 25 (não é uma dança de números, são os 52 anos do 25 de Abril de 1974, que hão-de completar-se no próximo sábado), o mundo continua a afundar-se em cenários de opereta que tão depressa nos lembram as distopias de Orwell como as delirantes acrobacias marxistas (de Chico, Harpo e Groucho, não as do velho Karl). Foi preciso esperar 52 anos para ouvir catalogar, em televisivo horário nobre, com bastante saliva e fanfarronice, a nossa tão celebrada “revolução dos cravos” como “revolução miserável”, coisa que Salazar, lá na tumba, terá decerto apreciado. Lembram-se daquela antiga canção que Dalida cantava com Alain Delon, Paroles, paroles? Era um caso de amor, aqui é de ressentimento e ódio. Mas, num ou noutro, são só palavras. E não há palavras, mesmo as mais infames ou violentas, que apaguem a História. Por mais que as gritem.


© PÚBLICO