Ao Estado a que chegámos

A tempestade Kristin voltou a expor um dos problemas mais persistentes da política pública em Portugal: somos maus a antecipar, maus a prevenir e, talvez pior, sistematicamente incapazes de aprender com os erros. Perante fenómenos climáticos extremos, continuamos a agir como se fossem acidentes imprevisíveis, quando são cada vez mais parte do novo normal num país profundamente vulnerável às alterações climáticas.

Falta-nos uma verdadeira cultura de prevenção. Falta-nos ordenamento do território — ou, mais precisamente, falta-nos vontade política para o aplicar. Preferimos continuar a alimentar a ilusão de que Portugal pode crescer à margem dos limites ecológicos, mesmo quando o conhecimento técnico e científico produzido no país aponta há décadas noutra direção.

É inevitável perguntar: o........

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