Perdemos o dom de dialogar?

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.

Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

À medida que o Brasil se aproxima das eleições de 2026, uma pergunta desconfortável se impõe: o brasileiro ainda é capaz de dialogar politicamente ou estamos presos a uma espiral permanente de pânico moral, polarização e ressentimento? Não sabemos quem será eleito. O que sabemos é que a insatisfação é profunda, transversal e perigosamente volátil.

Do ponto de vista dos estudos de mídia, esse cenário não é surpreendente. Desde Stanley Cohen, o conceito de moral panic descreve como sociedades entram em estados recorrentes de histeria coletiva quando símbolos, comportamentos ou grupos passam a ser tratados como ameaças existenciais.

Com a digitalização do cotidiano, o que mudou foi a escala e a velocidade. Redes sociais, ciclos de indignação e algoritmos transformaram conflitos políticos complexos em batalhas morais simplificadas em, muitas vezes, vídeos de um minuto emocionalmente carregados de opiniões pouco abertas à escuta.

Falando especificamente do Brasil, é impossível ignorar o contexto regional em que o país está inserido. Na América Latina, observa-se hoje um equilíbrio instável entre direita e esquerda, marcado por alternâncias eleitorais frequentes, governos frágeis e sociedades profundamente polarizadas.

Não se trata de hegemonias claras, mas de sociedades fragmentadas, cansadas, desconfiadas das instituições e profundamente afetadas por guerras........

© PÚBLICO