Querido indeciso

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“Querido indeciso,”. Era assim que começaria a carta aberta que eu escreveria, se conseguisse. Foram seis versões diferentes jogadas fora. Nas últimas duas semanas venho tentando escrever esta carta. Nada. A verdade é que não consigo encontrar ponderações que justifiquem a ideia de “uma escolha muito difícil”. Não consigo ver “polarização” ou “dois lados”. Há, sim, um lado. E há todo o resto.

É uma pena, concordo, que “todo o resto” tenha de ser encarnado por uma única pessoa. Mas não são radicalidades opostas. É um lado que tentou dar um golpe no Brasil, que segue buscando alianças com os Estados Unidos da América mesmo que isso signifique usurpar a soberania nacional e entregar o que é nosso por pouco ou quase nada e o outro — todo o resto — que quer seguir com a democracia, por mais imperfeita que ela seja.

Nesta carta que nunca consegui escrever, em nenhum momento dizia que Lula tirou o Brasil do mapa da fome duas vezes. Sim, porque os quatro anos do governo Bolsonaro pai foram tão aterrorizantes que até isso ele retrocedeu. Mas Lula tirou o Brasil do mapa da fome outra vez em mais quatro. Não escrevi isso na carta porque, apesar de tudo, não é sobre Lula esse segundo turno.

Também não........

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