Glossários familiares

Quando as minhas filhas eram pequenas, eu perguntava-lhes se queriam comer qualquer coisa antes de dormir. Elas achavam que a essa refeição, à ceia, se chamava “qualquer coisa”. E assim ficou. Anos depois, perguntam sempre o que vai ser o “qualquer coisa”. Isto já gerou equívocos, se estão noutras casas.

A granola também ficou para sempre “aquelas coisinhas”. “Quero iogurte com aquelas coisinhas.” Nunca sentimos falta de maior precisão. Entre nós, a referência basta.

Confesso que há uma parte de mim que não quer corrigi-las. Há qualquer coisa (o original) que me faz querer prolongar este momento. Não sei quantos mais anos de “estôgamo”, de “eu dizi”........

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