O (des)encanto das ruas
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Há um homem na descida da Rua Garrett, centro de Lisboa. Vejo-o quando saio para o almoço em direção aos Armazéns do Chiado. É um desses artistas de rua — uns chamam de figurantes urbanos — que representam personagens famosos como a Estátua da Liberdade, o Homem Aranha ou figuras mitológicas.
O homem da Garrett, porém, não representa nenhum personagem conhecido. Ele veste sempre o mesmo terno antigo e amarfanhado com uma flor na lapela, usa óculos e sorri. Mas quem sorri, na verdade, não é ele, e sim uma máscara, uma cabeça postiça, de madeira, que emerge do colarinho do paletó, manipulada por alguém oculto dentro da roupa. Há ainda uma caixa de som ao lado do artista, por onde sai sua voz ampliada.
Minha descrição é falha, pois eu o observo de soslaio quando passo. Se parasse para observá-lo ostensivamente, ele se dirigiria a mim em voz alta, como........
