Swim: o BTS, o mar português e a arte de continuar

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Há uma canção que os coreanos cantam há mais de seiscentos anos. Chama-se Arirang. Ninguém sabe quem a fez. Sabe-se que fala de uma montanha que separa, de um amor que não esquece, de uma travessia que não termina. É a canção que a Coreia carrega quando precisa de forças.

Em 2026, o BTS — o maior fenômeno pop sul-coreano da história — chama Arirang o seu novo álbum. E, dentro dele, há uma faixa que não é tradicional, mas que poderia ser: Swim. O videoclipe foi gravado em Lisboa, no Museu da Marinha e em navios ancorados no Tejo. Ao escrever este artigo, pensei em traduzir o encontro silencioso de duas culturas e sua forma de sentir o mar.

Portugal nunca deixou de falar através do mar. Mesmo quando o país se moderniza, se reinventa ou de alguma forma se afasta da sua própria mitologia, há uma memória que permanece —, a da partida, da travessia e da promessa de um outro lado. Durante séculos, os portugueses lançaram-se ao desconhecido. Não tinham mapas. Tinham esperança. Tinham uma certeza silenciosa: “navegar é preciso”.

Essa memória não está apenas nos livros de história. Está na pedra dos cais, na luz do Tejo, no olhar de quem........

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