Kondratieff e o ciclo longo do vinho

Naquele dia, Nicolai sabia ter chegado o fim, tinha 46 anos, havia gerado uma filha e uma poderosa teoria que auxiliaria gerações de economistas na leitura e compreensão da realidade. Perante o pelotão de fuzilamento, Nicolai Kondratieff sucumbiria às purgas de Estaline, concluindo precocemente uma profícua existência, tornando-se, no dia 17 de Setembro de 1938, em mais uma vítima do ditador soviético.

Antes daquela data fatídica, Kondratieff compreendeu que a economia capitalista observa ciclos de longa duração (40-60 anos) que acomodam expansão, estagnação e recessão, notando que as crises não são acidentais, mas sim períodos necessários de reajuste estrutural após o auge da expansão.

Valeria bem a pena convocar os seus ensinamentos para nos auxiliar a tentar compreender o sector vitivinícola.

Se observarmos a situação actual na indústria do vinho notaremos o panorama estatístico do sector que a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) apresentou há poucos meses, gerando uma comoção generalizada, indicando que desde 1961 não se consumia tão pouco vinho em todo o mundo, que as vinhas estão a ser paulatinamente arrancadas e que a produção de vinho mundial está em queda.

Poderemos com facilidade ceder à tentação do chamado “viés de negatividade”. A psicologia define-o como uma tendência cognitiva que sugere que conferimos aos sobressaltos negativos um impacto maior do que às experiências positivas no nosso estado psicológico, sendo as leituras pessimistas processadas mais intensamente e lembradas com maior facilidade.

Cuidemos analisar esta evolução com maior profundidade e sem estes estados de alma que turvam uma leitura mais sóbria.

Lembre-nos........

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