A pergunta que o 10 de Junho não fez |
O 10 de Junho não deveria ser apenas um dia de celebração. Deveria ser também um dia de perguntas: que país estamos a construir? Que futuro estamos a financiar e a planear? A data que celebra Camões e os valores da cultura portuguesa é tratada como solenidade. É necessário tratá-la como diagnóstico.
Portugal tem ativos. A recente eleição para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU confirma que o país tem crédito acumulado no plano internacional. O Presidente da República, no seu discurso da útima semana, enunciou com clareza o que falta: salários que reflitam as qualificações, políticas que fixem talento em vez de o exportar, menos burocracia, mais visão de longo prazo. O diagnóstico foi feito. Mas um diagnóstico enunciado numa cerimónia não é o mesmo que um país que o traduz em escolhas. A língua, a diáspora e a posição euro-atlântica só produzem influência sustentada se o país conseguir converter conhecimento em........