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“Ficas feliz com coisas tão simples…”

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— Ai! Meu Deus! O que é isto?

— Oh, ’mor, é só um postalinho. Ficas feliz com coisas tão simples…

Disse-o com ternura, mas também com surpresa, como se a felicidade tivesse uma fasquia mínima que eu teimava contornar. Escreveu-me a mais bela declaração de amor num postal deixado na almofada. Arrogância minha, fruto da profissão, acho sempre que os outros, que não são da “área”, nunca nos conseguem tocar verdadeiramente com as palavras. Enganei-me. Comovi-me e abracei-o, certa de que não era coisa pequena abrir assim o coração e colocá-lo nas minhas mãos. Depois de digerir o que tinha lido, como quem devora com as mãos uma fofa fatia de pão-de-ló, pus-me a pensar no remate que ele fez, ao observar a minha euforia: “Ficas feliz com coisas tão simples…”

Será a gratidão uma aprendizagem exagerada? Ou o reconhecimento do que nos fazem, por pouco que seja, deveria ser um culto diário? Dei........

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