Que Europa queremos aquecer, mover e defender?

A Europa passou os últimos anos a confundir alívio com solução. A fragilidade estrutural permanece: em 2024, a UE importava 57% da energia que consome, e a própria Comissão recorda que o desenho do mercado elétrico repercute os custos dos combustíveis sobretudo do gás sempre que estes são necessários para garantir abastecimento. O ponto é político. Um continente que importa a sua margem de manobra não é estrategicamente autónomo.

É verdade que a transição avançou. Em 2024, as renováveis já representavam 25,2% do consumo final bruto de energia da UE e 47,5% do consumo bruto de eletricidade. Ainda assim, o mesmo retrato revela o limite da celebração: mesmo no setor elétrico, os combustíveis fósseis ainda respondiam por 29,2% da produção, e a UE continua a 17,3 pontos percentuais da meta de 42,5% de renováveis em 2030. A Europa está a descarbonizar; ainda não se tornou soberana.

O choque russo ensinou uma segunda lição: diversificar não é o mesmo que emancipar. A dependência europeia do gás russo caiu de 45% das importações para 12% em 2025, e a UE decidiu eliminá-lo até ao final de 2027. É um avanço estratégico real. Mas, no terceiro trimestre........

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