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Os tubarões-anequins, os touros bravos e o logro

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19.06.2021

Possivelmente estarão a interrogar-se que terão tubarões-anequins e touros bravos a ver uns com os outros, para além do facto de ambos terem arcaboiço para colocar os mais incautos numa unidade hospitalar de cuidados intensivos... A verdade é que as actividades comerciais que lhes foram impostas estão ambas envolvidas numa teia de logros e falsidades que se têm vindo a perpetuar ao longo da história recente. E, se esse chorrilho de mentiras passou pelo crivo (bem largo) de uma população largamente desinformada durante décadas (para não dizer séculos), já está mais do que na hora de as redes sociais fazerem o seu trabalho e permitirem à população actual, mais moderna, abrir os olhos de uma vez por todas. Já agora, seria útil se esses esclarecimentos chegassem à cúpula da classe dirigente, que tem obrigação de pôr travão a duas das maiores atrocidades ambientais de que há memória.

Antes de mais, chamemos a atenção para o facto que não estamos a falar de pobres orangotangos que lutam tristemente contra bulldozers na distante selva de Bornéu, que vai lentamente dando lugar a plantações de palmeiras, para que possamos continuar a barrar as nossas torradas com deliciosas pastas chocolatadas, atestadas de óleo de palma no processo de fabricação. Muito pelo contrário, este fenómeno é intensamente português e passa-se nos nossos quintais: um marítimo e outro nas lezírias ribatejanas, que bem conheço porque cresci (a sonhar com uma carreira a estudar tubarões) no meio do Cartaxo.

Comecemos pelos anequins – também conhecidos como makos –, animal poderoso e um dos peixes mais rápidos nos oceanos. No entanto, milhões de anos de evolução ditaram que este, e muitos outros, tubarões tivessem desenvolvido uma estratégia reprodutiva que favorece a “qualidade”, em vez da “quantidade”. Esta estratégia, conhecida no meio científico como “K”, viria a ser adoptada pelos mamíferos – como nós – milhões de anos depois de os tubarões a terem desenvolvido neste nosso planeta, outrora tão estável. E assim é que os mamíferos, e a maioria dos tubarões de grande porte – como os anequins – têm um número muito reduzido de crias a cada dois, três, ou mais anos.

Como se pode adivinhar, da mesma forma que a caça às baleias (de reprodução igualmente lentíssima) levou este grupo de animais à beira da extinção em poucas décadas, ninguém deveria ficar surpreendido por vermos o mesmo a acontecer com os anequins e outros tubarões. Só que, em vez........

© PÚBLICO


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