No dia em que os duques de Edimburgo se cruzaram com a História de Portugal
Não vale a pena fingir que não fiquei nervosa ou que não foi importante para mim contar aos duques de Edimburgo a história do casamento de D. Filipa de Lencastre com D. João I, no preciso lugar onde tudo aconteceu.
Depois de, na terça-feira, os príncipes terem visitado o túmulo de D. João e D. Filipa no Mosteiro da Batalha, a minha missão era conseguir ressuscitar a rainha, levando-os a reviver, na Sé do Porto, os dia 2 e 14 de fevereiro de 1387, o casamento e o dia da “voda”, como escrevem os cronistas de então.
O que se revelou afinal espantosamente fácil porque os duques generosamente prestaram-se a regressar no tempo com uma afabilidade e sentido de humor fantásticos. Tínhamos, além do mais, a enorme mais-valia de contar com a presença do atual bispo do Porto, D. Manuel Linda, o “sucessor” daquele que então os abençoou.
Lá fora, ficou uma multidão de turistas que quando perceberam que a catedral estava encerrada por uma hora, nem queriam acreditar na fortuna de lhes ter calhado em sorte a visita de membros da família real britânica, e ali se mantiveram, de pedra e cal, e de telemóveis em punho.
Para o príncipe Eduardo, licenciado em História, era desde logo absolutamente óbvio que no século XIV o terreiro fronteiro ao edifício religioso não era assim no dia em que D. Filipa e D. João fizeram o percurso entre o paço episcopal e a Sé. Nesse tempo, as casas chegavam praticamente ao adro, subindo do rio até ao topo da colina onde o Paço do Bispo e a catedral marcavam o centro do poder.
Também não lhe custou imaginar as ruas cobertas de flores e ervas aromáticas, para afastar os cheiros de uma urbe medieval. O que os duques talvez não soubessem (ou se sabiam, deram-me o........
