Envelhecimento e memória: dicas para aceitar os limites da idade
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Quero falar-te de envelhecer. Uma coisa que acontece muito às avós. Quando a tua avó ficou mais velhinha e a ajudava a arranjar-se para se deitar, ela exigia que se pusesse cada peça de roupa num lugar preciso — a camisa nas costas da cadeira, a saia no assento, a carteira do lado direito e por aí adiante. Eu achava tudo aquilo obsessivo, mas à medida que envelheço percebo que era esta disciplina que lhe permitia manter-se autónoma e independente.
Agora que me esqueço de onde ponho tudo, começo a tentar desconfiar mais de mim mesma, e a precaver-me! Isso, desconfiar. Parece uma coisa má, mas não tem de ser, porque é mais um sensato reconhecimento dos nossos limites e das nossas novas circunstâncias. Dou-te um exemplo: já não tiro um fio do pescoço sem o ir por na caixa certa, sob risco de depois não fazer a menor ideia de onde o deixei, arrumo o porta-moedas no mesmo lugar da mochila para evitar aquele ataque de coração quando mergulho na carteira e não o encontro, ponho um alarme no telefone quando ligo a mangueira do jardim e já não arrisco deixar a água do banho a correr enquanto vou só fazer uma coisa qualquer.
Sim, Ana, dantes também me esquecia (e deixei transbordar a banheira várias vezes), mas a diferença é que dantes de repente plim, lembrava-me, e........
