O Coração Ainda Bate. Amoral

Durante muitos anos tive um pseudónimo na imprensa, que dava pelo nome de “O Sexo e a Cidália”. Foi mais de uma década a escrever centenas de crónicas sobre a minha vida, a vivida e a fantasiada, e depois, naturalmente, veio um outro tempo, aquele que já me merecia a reflexão. Não precisamos de reflectir quando somos novos. Parar para pensar deve ser dos primeiros sinais de amadurecimento.

Cidália foi uma personagem por mim criada, que era na verdade a soma de todos os meus eus: solteira, emancipada, apaixonada, dorida, quebrada e até desolada.

A Cidália representava muitas mulheres – que há 20 anos ainda não falavam abertamente de sexo. Havia muito humor nessas aventuras; por mais que a situação fosse trágica, Cidália tentava que o riso triunfasse, nem percebendo ainda que é o riso que finta a morte.

Muitos homens escreviam para o e-mail da Cidália. “Com esse tipo de escrita só podes ser um homem”. Este deve ter sido........

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