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O ano de 2026 começou sob o signo da tensão global que se intensifica de forma cada vez mais unilateral e que, a cada dia, nos causa maior estupefação. Mas, pelo menos, esta sexta-feira trouxe uma boa nova: a luz verde política ao Acordo UE–Mercosul, após mais de um quarto de século de impasses, reviravoltas negociais e resistências internas.
No Conselho — onde os Estados-Membros decidem por maioria qualificada — a aritmética é implacável: não basta somar países; é preciso também somar população. Exige-se o apoio de, pelo menos, 55% dos Estados-Membros (15 em 27), representando 65% da população da União. O resultado foi expressivo: 21 Estados votaram a favor, cinco votaram contra — França, Polónia, Irlanda, Áustria e Hungria — e a Bélgica optou pela abstenção. Assim se fechou, ao menos neste capítulo, um ciclo de 26 anos: o acordo avançou porque venceu a lógica da “dupla maioria” e, sobretudo, porque venceu a percepção de que o custo geopolítico do adiamento passou a ser maior do que o custo político da decisão.
E aqui está o ponto central: este não é apenas um tratado comercial. É um gesto de política externa, uma afirmação — quase programática — do multilateralismo e da previsibilidade jurídica num tempo em que esses valores parecem ceder ao peso da retórica soberanista e da normalização das disputas tarifárias. Quando as tarifas voltam a ser instrumento de intimidação e de reposicionamento estratégico, aquilo que está em jogo já não é só o preço de........