Costume: uma palavra limpa para sujar tudo |
Eu era ainda um miúdo quando percebi que a morte cabia num balde. Morávamos em barracas alinhadas como dentes tortos, e uns metros adiante vivia o Manel, sessenta anos mal contados, a camisa sempre marcada de nódoas antigas, o corpo meio fora de si, como se estivesse sempre a despedir-se de alguma coisa.
Para mim era um velho, e os velhos, nessa altura, assustavam-me sem razão nenhuma. À porta da barraca dele havia pratos no chão, restos que cheiravam a azedo e chamavam os gatos da rua, gatos sem dono e sem nome. Nesse fim de tarde vi-o com três........