“Até uma criança podia ter feito isto”
Podia, talvez pudesse, mas não fez, pensou Pablo, enquanto desenhava no ar, com a mão, o gesto de quem escreve. Pediu a conta, vários algarismos do Le Procope, uma soma que lhe pareceu excessiva e ao mesmo tempo insignificante. Depois de deixar uma gorjeta generosa ao empregado, dirigiu-se para a saída. Que chatice, estava a chover. Ficou debaixo do toldo castanho, a fumar um cigarro, e pensou na mulher e no filho que o esperavam em casa, Olga e aquele bebé que pouco mais sabia fazer do que chorar e pedir mama, sem que Pablo soubesse ainda que seria apenas a primeira das suas........
