A tirania do rigor e o medo do espelho

Diz-se frequentemente que a responsabilidade é o alicerce de uma vida funcional. Crescemos a ouvir que o sucesso se mede pela nossa capacidade de cumprir horários, antecipar obrigações e manter uma conduta que nunca tropeça fora das linhas traçadas pela expectativa alheia. Criámos uma sociedade de indivíduos que vivem numa hiperatividade mental constante, onde o próximo passo é planeado enquanto ainda nem sequer habitámos o presente. Mas, nesta contabilidade perfeita de deveres, o que sobra do prazer de existir?

A verdade é que este rigor extremo, muitas vezes confundido com virtude, tornou-se uma prisão invisível. Vivemos sob o jugo de um tribunal interno que nos sussurra para não fazermos certas coisas porque as pessoas vão julgar, ou porque amanhã temos outra tarefa para cumprir. Esta obsessão em não falhar com o mundo exterior........

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