Conferência de Bona: entre implementação e sal nas feridas
Todos sabemos que Junho é mês de Santos Populares. É mês de toda a vizinhança sair à rua, de bailarico, de sardinha assada, de cerveja fresca e de talvez uma ginjinha. Mas ao mesmo tempo que a tradição portuguesa ocupa as ruas até de madrugada, a cerca de 1880 quilómetros de Lisboa, há uma outra tradição a acontecer: a Conferência de Bona - o encontro anual dos órgãos subsidiários da Convenção do Clima das Nações Unidas.
Há trinta anos que Bona, na Alemanha, acolhe estas sessões que, não tendo a escala nem os holofotes de uma COP, são determinantes para as grandes decisões que serão tomadas. São estas as salas das máquinas da diplomacia climática (ou do que dela resta): onde se afinam os textos técnicos, se debatem os caminhos de implementação, e se plantam as sementes das decisões futuras.
E então aqui regressamos, todos os meses de Junho, ao rio Reno. A estas mesmas salas. A rostos e lugares que já nos são familiares. E faz-me lembrar o ditado: “quanto mais as coisas mudam, mais permanecem as mesmas" (ou, em francês, plus ça change, plus c'est la même chose).
Desde a última vez que cá estive, um país soberano foi invadido e o seu presidente raptado; uma nação soberana foi sujeita a bloqueios; juízes de tribunais internacionais foram sancionados em retaliação direta aos seus mandados sobre crimes de guerra e contra a humanidade.
Continuarmos a chegar a estes processos de negociação sabendo exatamente o que é preciso fazer, mas falhando em fazê-lo na mesma, é a prova mais clara de um sistema construído para falhar
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As guerras pelo petróleo intensificaram, lado a lado com as despesas militares, que atingiram níveis recorde de 3,2 biliões de dólares. E não esqueçamos as mais de dezenas de milhares de vítimas mortais por fenómenos climáticos extremos, com fatura de centenas de milhares de milhões de dólares em perdas económicas.
“Vocês têm ideias muito variadas, e não tenho a certeza daquilo que querem daqui” - ouvi o copresidente das........
