As lições e os riscos do PISA 2025
Os resultados do PISA 2025 são uma má notícia para Portugal. Em matemática e leitura, os alunos de 15 anos recuaram para níveis próximos dos de 2006, anulando grande parte dos ganhos obtidos na década anterior. Aumentou significativamente a proporção dos que não atingem o nível mínimo de proficiência e diminuiu a dos que alcançam os níveis mais elevados. Em ciências, a situação é menos negativa, embora também se registe um recuo relativamente a 2015.
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Há, portanto, uma primeira conclusão que não devemos relativizar, embora conhecida já de todos: Portugal tem um problema de aprendizagem.
Mas os resultados do PISA não dizem, por si próprios, qual é a sua causa nem qual é a política adequada para o resolver. Diagnosticar não é explicar. E explicar não é ainda decidir.
É neste ponto que surge a resposta conservadora. O antigo ministro Nuno Crato classificou os resultados como a “crónica de um declínio anunciado”, atribuindo a descida “tremenda” ao abandono, a partir de 2016, de currículos mais exigentes, dos exames de final de ciclo no 4.º e no 6.º ano e do apoio cognitivo aos alunos com maiores dificuldades (PÚBLICO, 09/09/2026). João Marôco tem defendido uma leitura próxima, associando a degradação dos resultados ao abandono de currículos mais estruturados, de metas de aprendizagem e de uma cultura de avaliação externa.
Há nesta crítica questões que não podem ser descartadas. Uma escola democrática não pode baixar as expectativas sobre o que todos os alunos devem aprender, nem confundir inclusão com facilitação. O conhecimento importa. Os currículos precisam de estrutura. A avaliação é indispensável.
Mas daí não decorre que a solução seja simplesmente regressar ao modelo anterior, aumentando a prescrição, os exames e o controlo externo. A correlação temporal entre políticas e resultados não demonstra, por si só, uma relação causal. E a crise das aprendizagens dificilmente pode ser explicada por uma única mudança de política.
O próprio PISA aponta para uma realidade mais complexa: os efeitos da pandemia, as desigualdades sociais, a transformação da população escolar, a relação dos jovens com os meios digitais, a atenção e a motivação para aprender, as dificuldades de muitas famílias, a falta de professores em algumas áreas e as condições de funcionamento das escolas fazem parte da equação.
O problema está em transformar uma hipótese explicativa numa receita política. Mais exames podem fornecer mais informação sobre o que os alunos sabem; não produzem, por si........
