A comparação internacional e o futuro da ciência em Portugal |
Sempre que se anunciam grandes reformas na política científica portuguesa, surge o mesmo argumento: é assim que fazem os países mais avançados. A comparação internacional aparece como evidência quase automática de que estamos a seguir o caminho certo.
Mas será mesmo assim?
Nos últimos tempos tem-se repetido que a fusão entre ciência e inovação empresarial acompanha tendências internacionais. Vale a pena olhar com atenção para esses exemplos, porque a realidade é bastante menos linear do que por vezes se sugere.
A maioria dos sistemas científicos mais robustos preserva uma distinção institucional clara entre financiamento da ciência e instrumentos de inovação económica. Não porque ciência e economia vivam em mundos separados, mas porque têm tempos, objetivos e modos de funcionamento diferentes.
Na Alemanha, por exemplo, o financiamento competitivo de investigação é liderado por uma entidade com missão clara de apoiar investigação baseada em excelência e avaliação por pares (a DFG), enquanto a investigação aplicada e a transferência tecnológica assentam em organizações e programas com vocação explícita para ligação à indústria (como a Fraunhofer e outros instrumentos). Em França, a ANR financia projetos de investigação por concursos competitivos, ao passo que........