Risco sistémico, segurança tecnológica e coesão territorial |
Na aldeia global em que vivemos os riscos chegam de todos os lados, os impactos e os custos externos repercutem-se assimetricamente, sobretudo, sobre os territórios e as famílias mais vulneráveis, e a cobertura e recuperação dos danos registados precisa de ser abordada com uma boa dose de justiça distributiva, solidária e mutualizada. Os acontecimentos registados este inverno em muitos concelhos do nosso país, com consequências devastadoras para muitas famílias aí residentes, são um sinal, por demais evidente, de que estamos perante uma alteração substancial de paradigma socioecológico e socioeconómico com um grande impacto na organização, funcionamento e coesão social dos territórios, em especial, nas áreas de baixa densidade (ABD).
Esta alteração de paradigma significa, por exemplo, que os ensinamentos dos colegas das ciências da terra – geologia, geofísica, geotecnia, hidrogeologia, meteorologia – são preciosos para entender, em toda a sua amplitude, os termos desta mudança estrutural que afeta profundamente a coabitação, que nós desejamos tão tranquila quanto possível, entre as famílias e o território. Esses ensinamentos reportam-se ao mapeamento de riscos, ao plano de ordenamento do território, à estratégia de especialização de territórios inteligentes, ao plano de infraestruturas críticas que equipam o território, à gestão multirrisco em todos os seus estádios, à governação multiníveis que é necessária para elaborar e implementar o programa integrado de........