O poder de definir: porque a igualdade não é igual |
No século XVII, os europeus inventaram o conceito de raça para construir impérios baseados na opressão. Hoje, muitos querem fazer de conta que o resultado dessa exploração não constitui a base do seu privilégio e que partimos todos do mesmo lugar.
Não partimos. E é só por isso que não somos todos iguais.
Ninguém descreveu melhor este paradigma do que Toni Morrison: “O debate sobre o que é o politicamente correcto é, na verdade, sobre o poder de definir. Os que definem querem o poder de nomear. E os definidos estão a tirar-lhes esse poder.”
O chamado movimento woke expôs a forma como o sistema económico, chamado racismo, continua a alimentar desigualdades. A resposta foi a demonização violenta da consciencialização das questões raciais e de qualquer desenho de políticas de discriminação positiva, com base no argumento de que “a raça não existe”.
Tão contraditório quanto cínico, o discurso de que as políticas de acção afirmativa são “racistas”, porque evidenciam diferenças, constitui o fundamento daquilo a que o sociólogo norte-americano Bonilla-Silva denominou de Color-Blind Racism, um racismo subterrâneo que vê a igualdade como uma abstracção e finge........