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Até que o “quase” nos separe

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18.08.2026

Era um “q” de quase porque não sabia ser outra coisa.

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Poderia ter sido um “q” de quem, um “q“ de quando. Poderia até, quiçá, ter sido um “q” de quanto! Mas um “q” de quase nunca consegue ser quanto, nunca consegue ser tanto.

Ficaria esta história arrumada num “quase”, como quase todas as histórias de amor, em que as pessoas se desencontram umas das outras no tempo, que é como quem diz, quando se desencontram de si mesmas, como um corpo cuja sombra se antecipa ou adianta no compasso da passada. Quanto ao “para sempre” tinha ficado precisamente perdido nesse compasso.

Um compasso é quanto basta para transformar um “para sempre” num “quase.”

Talvez seja por isso que o timing, aquela palavra pomposa que nomeia essa dificuldade do tempo acontecer no tempo certo, se tenha tornado tão popular, e tenha passado a desfrutar da singularidade de ser dita em estrangeiro, como uma iguaria rara sem tradução, quase impossível de encontrar.

Resta-nos o quase. E digo que um quase, sobretudo no tempo do amor, pode ser a palavra mais trágica que há.

Eles eram dois. Claro. Dois amantes. Como sempre são. E encontravam-se perdidos, como sempre se encontram as pessoas que se atraem pelo magnetismo de uma bússola móvel e inconstante que se abriga dentro de outro.

De súbito, como pássaros migratórios a seguir o seu destino polar, num voo tão ininteligível como o resultado de qualquer intuição, tão cruamente certeiro como o resultado de qualquer intuição, tinham-se atraído um pelo outro. E puxavam-se de tal forma, qual ferro ou cobalto ao encontro de um íman, que........

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