Já sabem em quem votar nas legislativas de Janeiro? (2)
A política é o palco dos flautistas de Hamelin. Tocam músicas sobre o esplendor das suas virtudes e das maravilhas das suas capacidades para uma plateia de seguidores, crentes e cegos, desprovidos de pensamento critico, os quais, embebecidos e sorridentes, engolem a banha da cobra que o seu flautista preferido lhes declama. Ainda se lembram do conto folclórico do Flautista de Hamelin? Quem se salvou da “música” hipnotizante foram três crianças: uma coxa, uma cega e uma surda.
Mas posso expressar a ideia referindo o flautista de Alijó: José Sócrates. Se pensam que só no PS houve Sócrates estão enganados. Há-os em vários partidos. Por exemplo, Cotrim é o Sócrates da IL; Ventura (que depois de ter sido hipnotizado por Sócrates, repudiou-o preferindo tornar-se num) é o do Chega. Boa aparência, bons falantes, boa eloquência que inevitavelmente acaba por demonstrar pouca substância. Curiosamente, não é possível dizer que Seguro é como Sócrates ou António Costa. Porém, digo já que dificilmente terá o meu voto.
Há quase duas décadas disse algo que cada vez mais me parece ser acertado: a vaidade é bem capaz de a maior causa dos afogamentos políticos. Estes dois Sócrates da política exemplificam-no!
Desde 7 de Dezembro, data da publicação da primeira parte desta reflexão, os candidatos praticamente só discutiram governação. Curiosamente, quando questionados, não souberam identificar qual o artigo da CRP que permite ao Presidente demitir o Governo. Enfim…
Já tinha excluído os candidatos da esquerda marxista. Vamos aos restantes. Estas eleições têm dois candidatos “Maria vai a todas”: Cotrim de Figueiredo e André Ventura. Comecemos por este último.
Ventura não quer ser Presidente da República. Quer ser Primeiro-ministro! E foi claro quando apresentou a sua candidatura: o Chega não tem ninguém para além dele.
A verdadeira intenção é segurar o resultado das legislativas. Não admira que o Ventura só fale de governação. Mantenho o que já disse. O Chega aproxima-se do seu limite de crescimento. Voltar a ficar aquém dos resultados como aconteceu nas autárquicas não é desejável. Daí que só Ventura possa ser o candidato. E, neste âmbito, penso que a postura mais calma de Ventura........
