A América vingou porque escolheu missões e não produtos |
Há uma narrativa confortável que gostamos de contar sobre a américa: que ela lidera a inovação porque é naturalmente mais audaz, mais livre e mais criativa. A verdade, como não podia deixar de ser, é mais complexa.
Os Estados Unidos tornaram‑se a potência tecnológica dominante do século XX não porque reduziram o risco, mas porque o souberam gerir. Não porque sabiam exatamente onde queriam chegar, mas porque construíram capacidade antes de terem certezas.
Quando Eisenhower criou a NASA e lançou as bases da DARPA, não existia qualquer garantia de sucesso. Pelo contrário: tratava‑se de ciência cara, tecnicamente incerta e sem retorno económico a curto prazo. O objetivo era estratégico e os instrumentos deliberadamente amplos. Pretendiam fomentar conhecimento e não criar produtos.
Kennedy elevou essa lógica a outro patamar. O programa Apollo não foi uma aposta “racional” no sentido contemporâneo do termo. Foi uma mobilização nacional em torno de um objetivo extraordinariamente ambicioso, apoiada por uma expansão brutal da investigação científica e da formação de engenheiros, muitos dos quais acabariam por trabalhar em áreas que nada tinham a ver com o espaço. O efeito mais duradouro da corrida à lua não foi o passo de Armstrong mas o ecossistema tecnológico que ficou depois da capsula aterrar no Pacifico.
Mesmo Reagan, frequentemente lembrado pelo discurso de mercado, compreendeu isto. O programa “Star Wars” é hoje visto como tecnicamente ingénuo e........