A cidade e as serras |
Nos primeiros anos do século XXI, morei e estudei no Porto, entre 2000 e 2006. Nascido em 1982 e criado em Lisboa, tenho raízes profundas na Beira Alta, na zona de Viseu e Fornos de Algodres. Recordo-me bem de uma época em que quase ninguém queria viver no centro histórico do Porto ou na Baixa de Lisboa. Consideravam-se estas zonas pouco atrativas, quer por questões de segurança, quer pelas precárias condições de habitabilidade do património edificado. O desejo generalizado era habitar nas periferias, em edifícios novos e modernos.
Hoje, paradoxalmente, todos parecem querer viver nos corações históricos das cidades. O crescente fluxo migratório para Portugal, impulsionado pela segurança, pela beleza singular da paisagem e pela riqueza arquitetónica, transformou Lisboa e Porto em locais de desejo absoluto. Os jornais e revistas internacionais multiplicam-se em elogios, reforçando essa narrativa. O paradigma alterou-se de forma irreversível: agora, todos querem um apartamento no centro histórico, com vista para o rio e, se possível, um pequeno terraço.
Este renascimento urbano teve um marco decisivo por volta de 2013, ano em que a estratégia de comunicação do país foi redefinida. Recordo uma........