O útil voto em branco |
Escrevo, normalmente, sobre temas jurídicos. No entanto, num registo mais pessoal, verifico que a segunda volta das eleições presidenciais portuguesas de 2026 coloca muitos eleitores perante uma escolha que, para alguns, não é verdadeiramente uma escolha, e que há uma certa tendência na opinião pública para a absolutização das posições.
Ora, no meu entendimento, António José Seguro, pelo Partido Socialista, e André Ventura, pelo Chega, representam duas visões do país que, embora opostas na retórica, deixam de fora uma parte significativa do eleitorado: aqueles que não se revêm nem na esquerda tradicional (misturada com a radical), nem na direita populista.
Falo por mim, mas sei que não estou sozinho.
Sou (ainda sou) do CDS. Um partido fundador da nossa democracia, que votou contra a Constituição de 1976 por não se rever no caminho que então se desenhava para o socialismo, e que, desde sempre, procurou afirmar-se como uma força de equilíbrio, racional e ponderada. Um partido que privilegia a metáfora do “eixo da roda” de Adriano Moreira: a ideia de que a política precisa de um centro de estabilidade moral e institucional, a........