Genebra e a coragem do diálogo à beira do precipício
Há cidades que concentram poder político. Outras concentram riqueza. Genebra construiu a sua relevância em torno de uma ideia mais discreta e, talvez por isso, mais difícil de preservar: a convicção de que até os problemas mais complexos devem começar por uma conversa.
Na minha passagem recente por esta cidade suíça, visitei, a convite das Nações Unidas, o novo Portail des Nations, o Centro de Visitantes das Nações Unidas em Genebra. A experiência deixou uma impressão clara: num momento em que a política internacional parece cada vez mais dominada pela competição, pela desconfiança e pela lógica do ego, continua a existir uma comunidade de pessoas e instituições empenhadas em defender uma ideia aparentemente simples — a de que o diálogo não é um sinal de fraqueza, mas uma condição de sobrevivência da humanidade.
A mensagem surge num período particularmente difícil: o sistema internacional atravessa uma fase de grande instabilidade, as rivalidades entre grandes potências intensificaram-se, os conflitos armados multiplicam-se, a desinformação tornou-se uma ferramenta política e os movimentos populistas encontram no medo uma forma eficaz de mobilização. Ao mesmo tempo, a cooperação internacional, construída ao longo de décadas, é hoje frequentemente apresentada como um obstáculo, quando muitas vezes é precisamente o mecanismo que impede problemas comuns de se transformarem em crises maiores.
A possibilidade de uma escalada global, antes confinada aos cenários mais........
