Deve um governo dizer o que se deve ler ou não?
Poder-se-á colocar a questão de uma outra forma: deve um governo fazer currículos educativos? Soubemos que José Saramago será excluído da leitura obrigatória. Começa aqui o erro. Incluir autores ou excluí-los é, por si só, um erro. É um erro na medida em que não deveria caber ao Estado a decisão de fazer currículos escolares. Mas importa não cair no excesso inverso. Esse liberalismo absoluto que, em nome da liberdade, acaba por gerar desigualdade. A ausência total do Estado não liberta; fragmenta.
Sem um referencial comum, o ensino transforma-se numa espécie de geografia arbitrária do conhecimento: há ilhas de excelência e desertos de vazio, dependendo não do mérito do aluno, mas da contingência da escola ou do professor que lhe calhou. O Estado não deve escolher autores, mas deve garantir um horizonte comum de exigência e de cultura. Deve definir o quadro e nunca a moldura. Deve assegurar que um aluno compreende o que é um romance, que contacta com a........
