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Para o menino Adam Smith, uma salva de palmas!

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05.06.2019

Num dos últimos episódios de “Gente que não sabe estar”, um programa que nos aligeira a melancolia dominical, Ricardo Araújo Pereira socorreu-se da mão invisível, o famoso conceito introduzido pelo escocês Adam Smith, para fazer troça (de uma forma educada e elevada, como é seu hábito) do novo partido Iniciativa Liberal (IL).

Oscar Wilde, que é sempre um activo valioso quando estamos a precisar de uma frase certeira, dizia que a única coisa pior do que falarem mal de nós é não falarem de nós, pelo que, aparentemente, a IL não tem motivos para ficar chateada. O problema, neste caso, é outro: para brincar com a IL, Araújo Pereira recorreu à filosofia de um senhor que já não está cá para se justificar, e que, por isso, merecia boas cabeças que o defendessem. No entanto, como estas não se chegam à frente, atrevo-me a tomar eu as eventuais dores do defunto.

Adam Smith festejaria hoje, 5 de Junho, caso fosse imortal como as suas ideias, o seu 296º aniversário. É provável que a vida eterna o fizesse feliz mas, como não há bela sem senão, teria ouvido da boca de Ricardo Araújo Pereira a seguinte descrição do seu pensamento: “o Estado que se borrife nos de baixo e não proteja ninguém, pois há uma mão invisível que milagrosamente vai pôr tudo bem no fim”. E estou certo de que........

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