Depois da tempestade: empresas do Ribatejo

Vivemos, no Ribatejo, um momento que não hesito em classificar como uma verdadeira calamidade empresarial. A depressão Kristin não foi apenas mais uma intempérie num país habituado a lidar com episódios climáticos extremos; foi um golpe profundo num território cujo coração produtivo assenta, em 85%, em micro e pequenas empresas, muitas delas familiares, próximas do território e essenciais à coesão social e económica da Lezíria do Tejo e do Médio Tejo. Como presidente da NERSANT- Associação empresarial da região de Santarém e Câmara do Comércio e Indústria, não olho para estes números como estatística: vejo rostos, histórias e décadas de trabalho colocadas em risco em poucos dias.

O retrato que nos chega das empresas é duro e inquietante. Há unidades agroindustriais com armazéns inundados, stocks perdidos e equipamentos irreparavelmente danificados. Há indústrias transformadoras e empresas de construção que ficaram paradas vários dias por falta de energia, acessos cortados ou simples impossibilidade de garantir condições mínimas de segurança nas instalações. Mesmo onde não há telhados arrancados ou máquinas destruídas, há prejuízos silenciosos, mas devastadores: encomendas canceladas, prazos incumpridos, clientes que não podem esperar e se veem obrigados a procurar alternativas noutros territórios ou fornecedores. O “tempo parado” transformou-se em perdas em cadeia, muitas vezes superiores ao custo dos danos materiais.

É precisamente nas micro e pequenas........

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