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A próxima evolução do Contrato Social

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11.06.2026

Sempre que surge uma grande transformação tecnológica ou económica, tendemos a discutir os seus efeitos mais imediatos. Perguntamos que profissões vão desaparecer, que setores vão crescer, quem vai ganhar e quem vai perder. São perguntas legítimas, mas suspeito que, muitas vezes, nos fazem perder de vista algo mais importante.

Se olharmos para trás, para os grandes momentos de mudança da História, percebemos que as transformações verdadeiramente decisivas raramente aconteceram apenas ao nível da tecnologia ou da economia. O que mudou foi a forma como as sociedades se organizavam em torno dessa nova realidade. Mudaram as instituições, as expectativas das pessoas, as relações entre cidadãos e o poder político. Mudou aquilo a que os filósofos chamaram contrato social.

É uma expressão que usamos no dia-a-dia e que descreve algo bastante simples: o conjunto de regras, explícitas e implícitas, que define a forma como vivemos em sociedade. Quem cria riqueza. Quem contribui. Quem protege. Quem decide. E, sobretudo, quais são as expectativas legítimas que cada geração pode ter em relação à seguinte.

Durante séculos, esse contrato assentou na terra. A riqueza estava associada à propriedade agrícola, o poder era exercido por quem a controlava e a posição de cada pessoa na sociedade era, em larga medida, determinada pelo nascimento. Hoje esse mundo parece distante, mas durante muito tempo foi visto como a ordem natural das coisas.

A mudança não aconteceu porque alguém decidiu que o sistema era injusto. Aconteceu porque a realidade económica começou a mudar. O comércio expandiu-se, as cidades cresceram, novas formas de produção surgiram e, gradualmente, o velho contrato social deixou de conseguir responder às necessidades do seu tempo.

A Revolução Industrial acelerou esse processo de forma dramática. A riqueza passou a ser gerada nas fábricas, nos transportes, nas empresas e no trabalho assalariado. Milhões de pessoas abandonaram o campo e procuraram oportunidades nas cidades. Novas tensões sociais surgiram, novas desigualdades tornaram-se evidentes e as........

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