De imigrante a emigrante |
É condutor da Uber em Lisboa. Quando entrei no automóvel, pediu-me para falarmos em português. Está cá há três anos. A sua maneira de aprender português tem sido esta: conversar com os passageiros. Contou-me, em português precário, a sua vida, ou melhor: o seu projecto de vida, porque a vida, segundo me pareceu, é, para ele, sobretudo um projecto, qualquer coisa que ele vê à sua frente, e que espera alcançar. Veio do Bangladesh para ganhar dinheiro, porque aqui os salários são melhores do que no Bangladesh. Mas decidiu, entretanto, fazer de Portugal o seu país, ou melhor: o país dos seus filhos. Gosta dos portugueses. Conhece, de os transportar em Lisboa, outros europeus. Os portugueses parecem-lhe diferentes: são “emocionais”, têm “coração” e o “culto da família”. Ele gosta disso. Acha que, como bangladeshi, tem isso em comum com os portugueses. Sabe que alguns dos portugueses não gostam dos imigrantes.........