Ainda sobre os (criminosos) cartazes: o silêncio e a inação |
Qualquer um é livre de ter os preconceitos mais absurdos, ignorantes e até estúpidos sobre tudo. Os amantes de pratos de carne, se quiserem, podem virar costas e cortar relações com os veganos. Quem entenda que a tauromaquia é uma realidade bárbara e anacrónica, pode muito bem não ter o interesse e não conviver, de facto, com aqueles que frequentam as arenas e praças de touros. As razões e os motivos que levam a que os membros de uma mesma comunidade se coloquem em posições opostas são variadas. Mas em democracia e sobretudo numa, como a nossa, que se construiu assente num princípio primordial de respeito da dignidade humana, a liberdade para o antagonismo cessa – tem de cessar sempre – quando resvala para a discriminação, seja ela em razão do género, da etnia, da língua, da orientação sexual, da nacionalidade, etc. Se não cessar, cabe ao Estado executar as consequências legalmente previstas para tais situações.
Quando um partido político, um seu membro ou simpatizante, colaborem na instalação e divulgação de cartazes e outdoors que expressam mensagens como “Isto não é o Bangladesh” e “Os ciganos têm de cumprir a lei”, evidentemente não estão apenas a expressar a literalidade do que afirmam. Dizer ou sequer sugerir que é apenas isso, ou que é também somente o livre exercício da liberdade de expressão ou de iniciativa política, é argumento tão válido como o de um agressor sexual que “só” fez o que fez porque a sua vítima se lhe surgiu em roupas mais provocatórias.
E, por causa dos que assim argumentam, até o que é óbvio tem de ser........