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O vírus da reforma do Estado

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17.04.2020

Há uns meses atrás, escrevi em “Um Estado que Sirva” que “em sociedades livres – logo descentralizadas – e democráticas, o Estado deve a sua existência à vontade da sociedade e a sua legitimidade à delegação de funções que lhe é feita, pois o Estado deve existir, apenas e só, para servir essa mesma sociedade.”

Claro que este não é entendimento generalizado na sociedade portuguesa. Uma parte dos portugueses acha que deve ser o Estado a mostrar o caminho para as nossas vidas e a escolher o nosso futuro, e por isso justifica muitos dos abusos que comete.

Entre estes portugueses estão os entusiastas para quem o Estado é, antes de mais, uma “vanguarda” para reforçar o poder e dinamizar a vontade “colectiva” que conduz ao “progresso”. São eles alguns dos que marcam presença nos principais órgãos de soberania nacionais, sentam-se no parlamento, onde estão em considerável número, e à mesa do Conselho de Estado, insinuam-se aos jornalistas e infiltram-se até nos meios financeiros.

São ainda os que dominam sindicatos e têm muitos seguidores no próprio Estado, na academia, nas artes, nas ciências, nos jornais, e cada vez mais nas empresas, impedindo quaisquer reformas e corroendo, tal como o caruncho na madeira, lenta mas decisivamente os pilares da sociedade portuguesa.

Os entusiastas do colectivismo promovem a sua visão intolerante enquanto ocupam cada vez mais lugares de destaque na sociedade portuguesa, sendo a prova do muito que ainda falta para termos uma Democracia “adulta” em Portugal. São os “iluminados” que constituem o principal obstáculo para que o Estado sirva verdadeiramente os portugueses e que vêm nesta pandemia uma oportunidade para imporem os seus ideais antidemocráticos.

Mas para quem acredita que o Estado existe para nos servir, há uma outra oportunidade que esta crise nos oferece, havendo vontade para isso entre os portugueses. O vírus “chinês” proporciona-nos o desafio de reformar o Estado pois o confinamento dos seus funcionários e o recurso ao teletrabalho estão a tornar evidentes o potencial da digitalização........

© Observador


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