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O futuro da economia portuguesa

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10.06.2020

O futuro da economia portuguesa é um assunto enfadonho para a maioria das pessoas. Mas não devia ser. O que está em causa é o nível de vida dos portugueses nas próximas décadas porque as decisões que forem hoje tomadas terão impacto na vida dos nossos filhos e netos.

É por isso com esperança que devemos receber a intenção de que o Governo decidiu finalmente pensar na economia portuguesa a longo prazo, mesmo que para isso tenha contratado uma pessoa que lhe é exterior.

Pensar no longo prazo é um bom princípio, mas só por si não chega. Tudo vai depender das opções que forem feitas. As opções vão ter impactos positivos e negativos, e a grande questão é quais é que vão preponderar. Nos últimos 25 anos foram as segundas. E nos próximos 25 anos?

Se a aposta for igual à das últimas décadas nada irá mudar e o nível de vida dos portugueses continuará a afastar-se do que têm alemães, suecos, holandeses ou austríacos. Portugal tem um menor nível de produtividade do que estas economias. Nas últimas décadas tentou recuperar o atraso apostando na educação, na formação, no investimento, na inovação, na investigação, na simplificação administrativa ou na regulação dos mercados, mas esta aposta nunca foi consistente e não foi bem implementada, e os parcos melhoramentos obtidos não levaram à convergência nos níveis de vida.

Portugal registou um crescimento mais lento do que o verificado nos países desenvolvidos e está agora mais longe do que estava em 1995, quando se iniciou o desequilíbrio externo da economia portuguesa.

E também não conseguiremos convergir se a aposta for igual à dos outros países, que têm mais recursos e são mais eficientes a aplica-los. A imitação do que os outros fazem não é suficiente. Pode aprender-se lá fora, mas depois tem de se pensar cá dentro........

© Observador


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