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A globalização não está em risco 

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25.06.2020

Os últimos anos pareceram trazer grandes ameaças à globalização. Assiste-se, já há algum tempo, a uma tendência de regionalização das trocas comerciais. Os acordos entre países para a liberalização do comércio decorreram essencialmente a nível continental e não global, reforçando a ligação entre empresas e o acesso a produtos diferenciados apenas a esse nível. O funcionamento da Organização Mundial do Comércio está ameaçado por falta de recursos e de juízes para arbitrarem as relações entre os países.

Na América do Norte houve uma renegociação do acordo NAFTA, que resultou na subida de algumas tarifas e da inclusão de salários mínimos como forma de reduzir as diferenças de custos de produção entre países mais e menos desenvolvidos. Na Europa, está finalmente a concretizar-se a saída do Reino Unido da UE, não sendo ainda conhecidas as regras que irão regular as relações a partir de 2021, mas prevendo-se que sejam impostas barreiras nos dois sentidos. O acordo de parceria Trans-Pacífico foi rejeitado pelos EUA e foi substituído por outro com a participação de um número de países mais reduzido.

Esta tendência está a ser agravada pela crise do Coronavírus, que afecta o crescimento económico no mundo inteiro, e este facto só por si já está a ter um efeito negativo na globalização. A crise faz-se sentir ao nível do investimento estrangeiro, uma vez que alterou as decisões das empresas e a incerteza que afecta as economias torna pouco provável que os níveis de investimento realizados pelas multinacionais em outros continentes recuperem rapidamente.

O Covid-19 demonstrou ainda quão perigosas se tornaram as deslocações, afectando de forma definitiva, e por muitos anos, indústrias como........

© Observador


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