O Homem Nasce com Força, Não com Direitos 

A 5 de Novembro de 2025 foi publicado no Observador o meu texto “Os teus direitos não existem” .

As reacções que se seguiram não atacaram a lógica nem apontaram falhas factuais. Atacaram o desconforto. Incidiram sobre o desconforto provocado pela recusa de uma pressuposição raramente examinada: a de que os direitos existem enquanto entidades reais. A oposição não foi argumentativa, foi quase reflexa. Não porque eu estivesse errado, mas porque mexia numa crença que a sociedade precisa — quer queira, quer não — para funcionar.

Nos últimos dias voltou-se a falar do chamado “direito internacional”, das suas “violações”, da alegada ilegalidade de certas acções dos Estados Unidos da América. O padrão é sempre o mesmo: enumeração de normas, tratados, princípios abstratos. Perguntas concretas? Raras. A mais importante: o que acontece, no mundo real, quando essas normas entram em choque com alguém que detém poder suficiente para ignorá-las?

A resposta é simples — e observável: nada.

Nada acontece porque, fora das relações materiais de força, os direitos não existem. Não são factos, não são causas, não são constrangimentos........

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