Pleno emprego?
Portugal habituou-se a celebrar números. A taxa de desemprego desce, os indicadores estabilizam, o discurso político respira de alívio. Mas há uma pergunta que raramente se faz, talvez porque a resposta incomoda: que tipo de emprego estamos, afinal, a criar?
O país vive hoje um aparente cenário de pleno emprego. Aparente porque, por detrás da estatística, se esconde uma realidade menos confortável: empregos de baixo valor acrescentado, salários comprimidos, escassa progressão e uma economia que cresce aquém do seu potencial. Trabalha-se mais, mas produz-se pouco. E isso, num contexto global cada vez mais competitivo, não é estabilidade. É fragilidade disfarçada.
Celebrar o pleno emprego nestes termos é confundir quantidade com qualidade. É aceitar como sucesso aquilo que, na prática, limita o futuro. Porque........
