A contradição portuguesa: pedir ousadia e punir o risco
“Quando o sucesso é taxado e o falhanço condenado, o investimento transforma-se num ato de resistência.”
Portugal habituou-se a elogiar o empreendedorismo sem verdadeiramente gostar do risco.
A frase pode parecer excessiva. Não é. Basta olhar para a forma como o país continua a tratar quem investe, quem cresce e, sobretudo, quem falha.
Nunca se falou tanto de inovação, modernização, reindustrialização ou inteligência artificial. Nunca os discursos públicos estiveram tão preenchidos de palavras certas. Contudo, por detrás da retórica, permanece uma realidade menos confortável: grande parte da economia portuguesa continua assente num sistema que desconfia estruturalmente de quem produz.
O problema português já não é apenas fiscal. Nem exclusivamente burocrático. Tornou-se mais profundo do que isso. É, hoje, um problema cultural.
Portugal continua demasiado desconfortável com a ideia de risco.
Enquanto países como os Estados Unidos transformaram a capacidade de falhar numa componente natural da inovação económica, Portugal mantém uma relação quase punitiva com o insucesso empresarial. Nos Estados Unidos, um empresário que falha pode regressar ao mercado, captar novo investimento e recomeçar. O falhanço é frequentemente interpretado como experiência acumulada. Entre nós, demasiadas vezes transforma-se numa marca permanente de desconfiança financeira e institucional.
O mesmo contraste é........
