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Quando a China nos traduz

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Há notícias que, pela sua aparente simplicidade, acabam por revelar mais sobre o mundo do que discursos solenes e tratados longos. A decisão de uma zona económica especial chinesa de subsidiar a tradução de microdramas para português pertence a essa categoria rara de acontecimentos que, embora pareçam pequenos, apontam para uma mudança de escala subtil e profunda.

Os microdramas são, por definição, produtos rápidos, curtos, feitos para um planeta impaciente. Vivem da velocidade, da emoção concentrada, da capacidade de prender o olhar em segundos. E agora a China decidiu que vale a pena investir para que os compreendamos melhor — ou, talvez mais precisamente, para que os consumamos melhor, sem barreiras linguísticas, sem hesitações.

Não deixa de ser fascinante que a língua portuguesa venha a integrar esta equação não pela via da diplomacia clássica, da literatura canonizada ou do comércio tradicional de mercadorias, mas através de um formato audiovisual hipercontemporâneo, quase descartável, que se alimenta de plataformas digitais e de audiências fragmentadas. A ponte entre a China e o mundo lusófono, tantas vezes descrita em termos pesados, jurídicos e estratégicos, aparece aqui sob a forma inesperada de episódios curtos,........

© Observador