Golden Visa: investimento estrangeiro - motor da economia
Nos últimos anos, o Golden Visa foi tratado por muitos como o grande culpado de todos os males do mercado habitacional português. A narrativa foi cómoda, simplista e politicamente útil: apontar o dedo aos vistos gold servia para evitar uma discussão séria sobre a verdadeira origem dos problemas estruturais da habitação em Portugal. Mas essa narrativa ficou para trás. E os factos, teimosamente, não a confirmam.
Hoje, o regime do Golden Visa já não assenta no imobiliário. O investimento tem de ser feito através de fundos regulados pela CMVM, os quais devem aplicar pelo menos 60% do capital em empresas portuguesas, criando um canal direto de financiamento para a economia real do país. Em termos simples: trata-se de capital estrangeiro que entra em Portugal, apoia empresas portuguesas e ajuda a reforçar a sua capacidade de crescer, inovar e competir. Isso não é um custo para o país. É um ativo.
É por isso que faz sentido dizer que este investimento é, na prática, “dinheiro grátis” para Portugal — não porque seja irrelevante ou sem exigência, mas porque representa financiamento privado externo que entra na economia sem onerar o contribuinte, ao mesmo tempo que gera capitalização empresarial e dinamização económica. Num país que tantas vezes se queixa da escassez de capital para as empresas, ignorar este mecanismo seria um erro estratégico.
A discussão volta agora a ganhar força, numa altura em que se fala do possível alargamento dos prazos para obtenção da nacionalidade. E importa ter memória. Quando se eliminou a via imobiliária do Golden Visa, muitos apresentaram esse fim como uma medida necessária para travar a subida dos preços das casas. Contudo, os dados mais recentes mostram precisamente o contrário: os preços da habitação em Portugal continuaram a subir e atingiram máximos históricos em 2025, com novo aumento no arranque de 2026. O que se prova, mais uma vez, é que o mercado da habitação tem causas estruturais profundas, que vão muito além do investimento estrangeiro canalizado por esta via.
Usar novamente os vistos gold como bode expiatório seria repetir um erro já conhecido. Seria confundir sintomas com causas e sacrificar, em nome de um expediente político fácil, uma fonte relevante de financiamento para empresas portuguesas. Os fundos elegíveis para o Golden Visa são supervisionados e aprovados pela CMVM, o que acrescenta transparência, regulação e responsabilidade a um instrumento que tem sido importante para a capitalização do tecido empresarial nacional.
Portugal precisa de investimento, não de slogans. Precisa de capital produtivo, não de discursos moralistas contra o investimento estrangeiro. E precisa, sobretudo, de parar de atacar instrumentos que, na prática, ajudam a economia a crescer. O Golden Visa, na sua configuração atual, deve ser visto pelo que é: um mecanismo sério de atração de capital para Portugal, com impacto real nas empresas, no emprego e na competitividade do país.
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