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Futebol e casas portuguesas para quem pode (os americanos)

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17.06.2026

A escassa presença de adeptos estrangeiros nos estádios deste Mundial de Futebol de 2026, comparada com outros mundiais — ao contrário da narrativa difundida pela imprensa em Portugal —, não se deve a uma alegada “complexidade xenofóbica na obtenção de vistos”. A realidade dita o oposto: para um português, obter o visto ESTA e entrar nos EUA continua a ser um processo muitíssimo mais simples e célere do que o desespero de horas que um americano enfrenta nas filas dos passaportes no Aeroporto de Lisboa.

A verdadeira razão é económica e embaraçosa para Portugal. Ao fixar os preços dos bilhetes em milhares de dólares por partida, a FIFA ajustou a sua tabela ao poder de compra norte-americano, inviabilizando o torneio para a maioria das famílias estrangeiras, incluindo europeias e portuguesas. Deslocar uma família de quatro pessoas para assistir a uns meros 90 minutos de futebol pode facilmente custar entre 5 mil a 30 mil euros só em bilhetes, sem contar com viagens e hotéis a preços também americanos.

Portanto, se as bancadas do Mundial estão cheias de americanos (ou imigrantes residentes legais de todas as nacionalidades do mundo que singraram nos EUA), é porque a América domina o mundo, enriquecendo os seus cidadãos e residentes legais numa engrenagem de prosperidade que, infelizmente, continua por explicar e por replicar no panorama português. Na imprensa portuguesa, a dependência do Estado é quem mais ordena.

Esta disparidade é apenas mais um dos inúmeros comprovativos não relatados em Portugal que expõem o abismo entre dois modelos socioeconómicos. Enquanto o Portugal social-democrata (ou socialista) mal consegue caminhar sob o peso de uma enorme carga fiscal em cima da classe média, a sociedade capitalista americana colhe os frutos de uma economia onde, em média, os salários brutos são quase o triplo dos portugueses e os impostos são metade. Assim, na prática, o cidadão comum nos EUA dispõe de um rendimento........

© Observador