“Packs de experiências”, os presentes matreiros

Oferecer presentes é, em teoria, um dos gestos mais bonitos que fazemos uns pelos outros. Vemos algo numa montra ou no corredor de um hipermercado, imaginamos a cara da outra pessoa a sorrir e, num impulso emocional, fazemos aquela compra de oportunidade, entre duas outras tarefas, mas carregada de boa intenção. Nas últimas décadas, esse impulso foi bem capturado pelo marketing: em vez de objetos, oferecem-se “momentos”, “memórias”, “experiências únicas”. Soa mais profundo do que uma camisola ou uma garrafa de vinho. Mas será mesmo?

A prenda ideal, do ponto de vista psicológico e social, procura três coisas simples: mostrar afeto, ser minimamente útil e não criar problemas a quem a recebe. Os packs de experiências prometem exatamente isto: liberdade de escolha, tempo para marcar, variedade de opções. Quem oferece sente-se moderno, criativo, quase um curador de felicidade. O gesto emocional fica satisfeito no momento da compra, muitas vezes reforçado por slogans sedutores que criam um halo positivo, como........

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