Epstein: quando o público e o privado não coincidem

A divulgação recente dos chamados Epstein Files, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, voltou a expor um dos casos de abusos sexuais mais impressionantes da história recente. Os milhões de documentos recolhidos pelas entidades policiais e judiciais dos EUA envolvem inúmeras  figuras públicas: artistas, políticos, investidores, empresários, cientistas, etc. Embora nem todos os nomes citados estejam diretamente envolvidos com a natureza dos crimes cometidos por Epstein, este caso faz-nos refletir sobre como foi possível que esta personalidade criminosa criasse uma teia de influência tão poderosa e  continuasse a cometer crimes sexuais mesmo após ter sido condenado e sentenciado em 2008.

Jeffrey Epstein apresentava traços compatíveis com uma perturbação de personalidade antissocial e narcísica, no qual o indivíduo utiliza o charme, inteligência e a normalidade aparente para ocultar uma total falta de empatia,  remorso e um sentido maquiavélico. Convém referir que estas características psicopatológicas não oferecem, por si só, inimputabilidade ao sujeito. Mas é interessante verificar que as suas habilidades sociais permitiram criar uma dupla personagem: uma figura pública poderosa, amável e respeitável e uma........

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