A manipulação da linguagem e o falso progresso
Nos últimos anos, houve uma enorme polarização na sociedade com vários temas que exigiriam prudência, rigor e um debate sereno, a criarem posições crispadas e tensas. O ambiente político radicalizou-se e a tentação de criar uma visão única do mundo foi posta em prática; ou seja, impôs-se o desejo de controlar o pensamento das massas.
Para impor uma única aceção da realidade, a propaganda política recorre com frequência à linguagem como forma de manipulação. Um dos métodos utilizados é a distorção dos factos, através do recurso a eufemismos. Muitos jovens não se dão conta de que a linguagem pode ser corrompida para dar um aspeto positivo a um conceito ou comportamento eticamente condenável.
Os nazis chamaram “a solução final” ao plano de extermínio dos judeus. Por sua vez, os comunistas chamaram “campos de reeducação social” aos lugares onde encarceravam os dissidentes políticos. A força deste eufemismo está precisamente no seguinte: não nega frontalmente os factos; reveste-os de uma aparência mais suportável. Não muda a coisa em si, mas muda a sua avaliação moral. Aquilo que, nomeado com precisão, suscitaria repulsa, passa a parecer neutro, técnico, inevitável ou até virtuoso.
Hoje em dia, os debates públicos, a imprensa e as redes sociais estão cheios de eufemismos: A “interrupção voluntária da gravidez” substitui frequentemente a........
