A inteligência artificial não tem amigos, só utilizadores
A capacidade de estabelecer, na vida social, uma relação de amizade é, sem dúvida, uma virtude humana. Mas nem sempre essa relação corresponde às nossas expetativas. Existe um grupo de pessoas que simplesmente são incapazes de estabelecer uma relação mais íntima, altruísta, duradoura e empática com os outros. E o mais preocupante é não ter, habitualmente, noção dessa limitação e incompetência social. Chamo-lhes “os amigos passa-bolas”.
Os amigos passa-bolas são aqueles indivíduos a quem se pede auxílio e que ajudam poucochinho. Eles não negam ajudar, mas não se comprometem para além de dar um contacto, uma opinião, um conselho breve e desligam, como se a missão tivesse sido cumprida com sucesso. Quando é partilhada uma dificuldade, a reação é superficial, cumprindo os mínimos éticos para não demonstrar total desinteresse.
Tomemos o seguinte exemplo: um pai reside na província e tem um filho que vai entrar na universidade. Telefona a pedir ajuda a um amigo que vive na cidade para encontrar um quarto ou um apartamento que possa partilhar com outros colegas. A resposta é vaga: “Hoje em dia é difícil encontrar quartos em Lisboa, está tudo caro. O melhor é procurares no OLX ou nas redes sociais.” A indolência prossegue: “Se quiseres, depois de escolheres,........
